Um breve resumo do Brasil para explicar como chegamos até aqui

Desde 1500, algumas particularidades teimam em aparecer na agenda da nação. Uma delas é a nossa incompreensível elaboração reduzida e acanhada da chamada participação cidadã.

Entre indas e vindas, o primeiro historiador brasileiro, Frei Vicente de Salvador, já identificava, em 1627, que “nenhum homem nesta terra é republico, nem zela ou trata do bem comum…ainda que bebam água suja, e se molhem ao passar dos rios, ou se orvalhem pelo caminho”.

Um dos primeiros sinais do surgimento da empolgação pública se deu em virtude da lei que aboliu a escravidão, em 1888. Na ocasião, brasileiros tomaram todos os cantos da praça onde a princesa Isabel anunciou a novidade.

Atos como esse, não poucas vezes vinham seguidos de revezes políticos e sociais, os quais começavam a desenvolver um projeto de pressão.

Ao longo do século XXI, nosso país foi marcado pelo poder de grandes empresários e veículos de comunicação que podiam alcançar todo país. O personalismo foi sempre uma realidade forte que enfraqueceu o exercício livre da população.

Outro traço (que ainda resiste) é o da violência que está encravada no Brasil desde sempre e se espalhou por todo território nacional até ser naturalizada.

É incontestável também que as combinações geraram uma sociedade definida por bons encontros e criatividade. Talvez por isso, a alma do Brasil seja tão diversa.

Mas na política, Manuel Bonfim, já em 1905, reconhecia: “O Estado só tem um objetivo: garantir o máximo de tributos e extorsões.

Durante os anos 60 e 70, enquanto o grupo militar emitia seus decretos em Brasília, a revolução cultural gramsciana se alastrava país adentro.

Ideologias são como tatuagem: parecem ter o poder de se sobrepor à sociedade e gerar uma outra realidade.

E foi nas novelas, séries e filmes brasileiros que o direitista brasileiro sempre foi retratado como o moralista, o hipócrita, ou o burguês corrupto. Já o esquerdista, sempre foi retratado como o poeta que combate forças da opressão segurando flores.

O problema da “realidade fabricada” não está apenas na arrogância dos autores, escritores e cineastas, mas na crença de que as pessoas são uniformes e devem aderir a uma única ideologia.

O patriotismo no Brasil só era bem-vindo nos jogos de futebol, quando aguardávamos que algo inesperado resolvesse a partida. Por muito tempo, esse comportamento se entendeu fora dos campeonatos. Em vez de elaborar transformações substantivas e duráveis, a população esperava por um milagre no últimos minutos do segundo tempo.

E foi durante o Governo Dilma que a internet se popularizou e as informações passaram a ficar descentralizadas. O brasileiro médio pôde encontrar parceiros que sempre desconfiaram de grandes sistemas de pensamento. Começou aí uma recusa da uniformidade midiática como visão do ser humano e a certeza de que a liberdade só se materialiallzaria na existência da propriedade privada como modo de restrição ao poder do governo e da sociedade sobre os indivíduos.

Os cientistas políticos precisaram de um nome para classificar as manifestações contra a recusa de uniformidade de visão: a polarização. As eleições de 2022 foram as mais polarizadas de todas e a direita brasileira entrou num embate difícil para definir os rumos de um modelo que, no Brasil atual, contradiz com costumes, tradições e ambivalências da população.

No campo da informação centralizada (vela mídia) tradicional, Jair Bolsonaro e a direita em geral saíram em desvantagem. Embora muitos jornalistas repitam com frequência a frase: “jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que publique. Todo o resto é publicidade”. Não foi bem o que aconteceu em outros governos na história do Brasil.

Antes de apoiar o impeachment de Fernando Collor, cinegrafistas e repórteres acompanhavam o então presidente até durante uma partida de futebol pela TV ao lado da esposa.

No governo FHC, a imprensa divulgava eventos sociais e filantrópicos da então primeira dama Ruth Cardoso, que era chamada carinhosamente de “Dona Ruth”. Enquanto isso, no governo Bolsonaro, eventos sociais com a primeira-dama Michele Bolsonaro raramente ganharam uma linha positiva nos jornais.

A arte que ilustrou o estúdio do Jornal Nacional nos primeiros anos do governo lula trazia uma visão positiva do governo. A cor escolhida como pano de fundo era o laranja, que na semiótica das cores está associada à alegria. Representa o entusiasmo, a luz do sol, a determinação e o encorajamento. Notícias parecidas sobre o Governo Bolsonaro eram destacadas em tom sóbrio. A tradição de estampar a foto do Presidente da República durante a manchete do jornal foi trocada por uma foto de Brasília.

A mesma notícia em governos diferentes

Mas se lá em 1888, a cidadania avançava com e abolição da escravidão foi comemorada em todos os cantos, o mesmo não se pode dizer do Brasil atual, marcado por prisões políticas e repressão estatal.

A direita brasileira ficou em luto por um ano. O desafio agora é um pouco maior do que na época do impeachment de Dilma, já que a descentralização das informações está sendo alvo do mesmo personalismo dos donos do poder citado no início do texto.

É chegada a hora de retomar as ruas e reencontrar nossos parceiros de manifestações. Em meio a um cenário político mais complexo e desafiador, é essencial que a população se una para exigir justiça para TODOS os brasileiros.

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